Resistência Arco Íris

Resistência Arco-Íris

 

II

 

Você sabia que as pessoas que vivem com HIV, fazem tratamento antirretroviral e têm carga viral indetectável há mais de seis meses, não transmitem o vírus (“Indetectável = Intransmissível”)?

O conceito é mais conhecido pelo slogan I=I (Undetectable = Untransmissible: U=U – em inglês) e já é utilizado por cientistas e instituições de referência sobre o HIV em abrangência mundial.

Esse conceito ainda não foi totalmente difundido na sociedade em geral. Trata-se de questão complexa, pois os coletivos apresentam visão diferenciada quanto aos benefícios do I=I. O fato é que a correta compreensão do conceito pode ajudar a reduzir a transmissão do HIV, bem como o estigma social em relação às pessoas que vivem com o vírus.   

O estudo “Um alerta para melhorar a compreensão do slogan Indetectável=Intransmissível (I =I) no Brasil”, desenvolvido por Thiago Torres e outros pesquisadores* do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI), da Fiocruz, e apresentado em forma de pôster na Aids 2020 (julho, EUA), buscou avaliar como essa ferramenta de prevenção é entendida em três grupos:

  • Pessoas vivendo com HIV (PVH)
  • Homens cisgêneros gays, bissexuais, HIV negativo ou desconhecido que fazem sexo com homens (GMB - gay/bissexual men) e
  • Outras populações HIV negativo ou desconhecido (POP).

Como foi o estudo

Brasileiros com idade igual ou superior a 18 anos foram recrutados durante outubro de 2019 para concluir uma pesquisa via web anunciada no Grindr, Facebook e WhatsApp.O entendimento relativo a I=I foi acessado por intermédio da pergunta: “No que diz respeito aos indivíduos infectados pelo HIV que transmitem o vírus por meio de contato sexual, qual a precisão que você acredita que o slogan I = I (indetectável igual a intransmissível) possui? ”

Dos 2.311 indivíduos que acessaram a pesquisa, 1.690 foram incluídos na análise. No geral, a maioria dos participantes não é negra (89%), possuem renda média alta (68%), educação superior ao nível médio (65%) e reside nas áreas metropolitanas das capitais dos estados (71%).

Homens cisgêneros gays, bissexuais, HIV negativo ou desconhecido que fazem sexo com homens eram mais jovens (idade mediana de 33 anos) em comparação com o grupo de pessoas vivendo com HIV (mediana de 40 anos) e as outras populações HIV negativo ou desconhecido participantes (mediana de 48 anos).

A maioria das pessoas sem HIV ou desconhecido tem parceiro fixo (64%), enquanto uma fração muito menor foi observada para os outros grupos. Vale destacar que 37% das pessoas vivendo com HIV tem parceiros.

Os homens cisgêneros gays, bissexuais, HIV negativo que fazem sexo com homens relataram fazer testes para HIV (85%), mais do que o grupo de pessoas sem HIV (69%). Pessoas vivendo com HIV em geral tem melhor entendimento sobre o que é I = I do que os outros dois grupos estudados.

O estudo aponta que o conhecimento quanto a I = I não atingiu mais de um terço dos homens cisgêneros gays, bissexuais, HIV negativo que fazem sexo com homens.Dois terços das mulheres cisgênero HIV negativo/desconhecido, homens heterossexuais e outras populações não conhecem o tema.

Em semelhantes estudos anteriores realizados com grupos de alta renda, os resultados sugerem maior conhecimento entre aqueles que vivem com HIV, embora seja importante destacar que 10% dessa amostra ainda consideram I = I impreciso.

A constatação de que o conhecimento prévio acerca de I=I varia de acordo com o grupo pode ajudar a identificar subgrupos para os quais são necessários esforços educacionais adicionais para aprimorar os benefícios de prevenção individual e populacional oriundos desse conceito.

No Brasil, são necessárias estratégias educativas especiais sobre o I=I como ferramenta de prevenção, particularmente entre pessoas vivendo com HIV negras e homens gays/bissexuais cisgênero HIV negativo/desconhecido que fazem sexo com homens de baixa renda.

CONHEÇA O MATERIAL APRESENTADO NA CONFERÊNCIA:
https://encurtador.net/aijQ2




*Autores do trabalho: Thiago Torres, Luana Marins, Daniel Bezerra, Valdiléa Veloso, Beatriz Grinsztejn e Paula Luz, todos do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, INI/Fiocruz. 

Texto adaptado do original de Jacinto Corrêa - Comunicação ImPrEP

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